Teu nome me atravessa como lâmina, fundo e fino, rasgando o silêncio que eu teimo em vestir. Há uma violência em te amar, um rasgar de veias, uma fome insaciável que grita no osso. Tu és o grito seco da navalha, o pulso em convulsão, o relâmpago que cega e queima. Eu corro entre teus braços como quem foge do incêndio, mas me prendo na fagulha e acendo outra vez. Amar-te é cuspir no espelho, é ferir-se de propósito, é cavar buracos no peito e encher com tua ausência. Tu me tens inteira, não como uma rosa mas como o espinho.
Há em ti uma força que não se explica. Algo que não cabe no olhar alheio, nem no nome que ousam te dar. És o que és, e isso basta para fazer tremer os alicerces do mundo. Tua vitória não precisa de plateia. Ela é íntima, como um sussurro, como o vento que modela as pedras sem que ninguém perceba. És feita de uma matéria antiga, um mistério que atravessa o tempo, que vem de vozes caladas e de mãos que ergueram sonhos no impossível. Cada passo teu é revolução. Não por querer mudar o mundo, mas porque, ao existir, tu o recrias. És guerreira, sim, mas não por lutar. Por resistir em silêncio, por transformar o cotidiano em poesia, e a dor, em uma beleza só tua. O que te move não é a vitória, mas o pulsar da vida em tua pele. És capaz porque és. E isso, ainda que calado, é a mais alta forma de gritar.
Não sou costela, sou vértebra, coluna que sustenta tempestades. Andei descalça por ruas de ferro, ouvi sussurros que tentaram me moldar, mas meus pés marcaram o chão, meus passos quebraram o molde. Carrego na pele o grito das minhas, vozes abafadas por véus invisíveis, mas agora, o véu queima. Minha palavra é lâmina, corta o hábito, refaz o mundo. Não sou promessa, sou a ruptura, a pausa que reescreve a pauta. Se digo que vou, vou inteira. Se fico, permaneço densa. Não espero aplausos, espero queimar pontes antigas, e ver no horizonte a dança de corpos livres. Não me calo, sou o eco de todas que vieram antes, sou o silêncio que se rompe no ato de existir.
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