Não sou costela, sou vértebra, coluna que sustenta tempestades. Andei descalça por ruas de ferro, ouvi sussurros que tentaram me moldar, mas meus pés marcaram o chão, meus passos quebraram o molde. Carrego na pele o grito das minhas, vozes abafadas por véus invisíveis, mas agora, o véu queima. Minha palavra é lâmina, corta o hábito, refaz o mundo. Não sou promessa, sou a ruptura, a pausa que reescreve a pauta. Se digo que vou, vou inteira. Se fico, permaneço densa. Não espero aplausos, espero queimar pontes antigas, e ver no horizonte a dança de corpos livres. Não me calo, sou o eco de todas que vieram antes, sou o silêncio que se rompe no ato de existir.
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